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Silêncio
José Nildo Brito Lopes
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Quem és?
Vives a me perseguir e insistes em satisfazer os meus caprichos És amigo e até inimigo de mim És doce, mas quantas vezes desagradas-me acremente? Perturbas-me o barulho ou tornas o meu ambiente pacífico e deleitável Sou eu quem te conduz, muitas vezes, em meio a multidão Nem me agradeces (e deves?) Encantas-me quando te apossas de pessoas cativantes diante do meu olhar dominado pelo acanhamento Por vezes, és minha companhia inseparável Quando tento afastar-te, não permites Sofro... Sofres, talvez, comigo Penetras minha alma e sangras em lágrimas se o peito arqueja cansado das desilusões e dores cotidianas Não permites que seja abandonada a misantropia Que conquista, à força, a minha simpatia,domina o meu pensamento, angustia-me o peito Questiono-me, confronto-me comigo, reprimo as emoções Imploro... Esgoto as possibilidades É o desespero, teu cúmplice, aliado Melhor, somos os três, consumindo-nos Vivemos sob o poder da solidão, a mercê do desatino Assim viveremos, até que... um dia, encontremos a verdadeira paz de espírito. |
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